Até a escolha do local definitivo para a sua instalação, a estátua de bronze do poeta Manoel de Barros vai ficar em exposição no Museu de Arte Contemporânea (Marco), em Campo Grande. A informação é do secretário estadual de Cultura e Cidadania de Mato Grosso do Sul, Athayde Nery.

Nery disse ao G1 que nesta quinta-feira (14), a estátua que estava guardada em um depósito foi retirada do local para que fizesse parte do cenário do evento que marcou o lançamento de atividades pelos 40 anos de Mato Grosso do Sul e, que ainda nesta sexta (15) seria encaminhada para o Marco.

Em relação ao local que abrigará definitivamente a homenagem ao poeta, o secretário disse que existe duas áreas que podem receber a escultura, o Parque das Nações Indígenas e a avenida do Poeta, no Parque dos Poderes.

A escolha, entretanto, conforme ele, será feita em consonância com o artista plástico Ique Woitschach, que é o autor da obra. “Tem vários aspectos que tem de ser levados em conta. Na obra, o artista esculpiu um relógio que marca 6h. Então tem que ser um local que esteja iluminado neste horário. Além disso, tem que ser uma área arborizada, porque o poeta sempre disse que quando morresse queria virar árvore e também para evitar um desgaste da estátua, que é feita de bronze. Outra questão, é que tem de ser um local de fácil acesso a população, porque o grande objetivo é homenagear o poeta”.

Nery disse que o objetivo do governo é definir o mais rápido possível a questão do local de instalação da estátua. “O governador [Reinaldo Azambuja] já falou com o artista, eu já falei e vamos esperar ele vir, para definirmos junto essas questões e escolher o melhor cenário possível para a estátua do Manoel”, concluiu.

Polêmica envolvendo a estátua
Manoel morreu em Campo Grande em 2014. Em 2016, o governo de Mato Grosso do Sul encomendou ao artista plástico Ique Woitschach uma estátua de bronze para homenagear o centenário de nascimento do poeta. A escultura, de 400 quilos, e que demandou um investimento de R$ 232 mil, foi apresentada em abril deste ano. Desde então a data para a instalação era incerta, porque o governo queria instalar a obra no canteiro central da avenida Afonso Pena, entre as ruas Rui Barbosa e 13 de Maio.

A secretaria municipal de Cultura e Turismo de Campo Grande (Sectur) deu parecer favorável ao município para a instalação na área pretendida pelo governo do estado, mas o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul (Ihgmgs) se manifestou contrário, porque no local existe um sítio arqueológico militar.

O Ministério Público estadual (MP-MS) entrou então, na sexta-feira, dia 1º de setembro, com uma ação para impedir a instalação da estátua. Alegou que a área pretendida é tombada pelo patrimônio histórico e cultural da cidade e que para qualquer intervenção no canteiro da avenida seria necessária a aprovação da Sectur e também do Ihgmgs.

No dia 4 de setembro, o juiz da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, David de Oliveira Gomes Filho, se inspirou no trabalho de um dos maiores poetas brasileiros, Carlos Drummond de Andrade, para escrever em forma de poesia um trecho da sentença sobre o destino da estátua que faz homenagem a outro gênio das palavras, o também poeta Manoel de Barros.

Na sentença, o juiz determina que a área inicialmente preparada para receber a estátua fosse recomposta, e que em um prazo de 60 dias, fosse determinado em comum acordo com a Sectur e o Ihgmgs, um novo local para a instalação da escultura. Estabeleceu ainda que no caso de descumprimento será aplicada multa de R$ 100 mil em favor do Fundo Municipal de Meio Ambiente.

Fonte: G1 MS/ Por Anderson Viegas

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