Da educação básica à formação profissional, uso da inteligência artificial exige conhecimento humano, governança e segurança dos dados

A inteligência artificial já está presente em diferentes processos do agronegócio, ampliando a capacidade de analisar dados, organizar informações e apoiar decisões no campo. Mas o mesmo poder que pode aumentar produtividade e eficiência também pode provocar prejuízos quando utilizado sem a calibragem do conhecimento humano. O alerta foi feito por Alcir Abuchaim, CEO da i4t, durante entrevista à Rádio NFM, conduzida pelos jornalistas Edir Viegas e Lúcio Ferrari.

Durante a conversa, Abuchaim citou o caso de um agricultor que já utilizava IA havia cerca de um ano e seguiu uma orientação da ferramenta para uma plantação de 10 hectares de gergelim. Segundo o relato, a recomendação inadequada resultou na perda da lavoura. O episódio demonstra o risco de utilizar uma ferramenta sem parâmetros técnicos definidos e sem a validação do conhecimento especializado.

“A IA tem um potencial extraordinário para o agro, mas uma recomendação errada pode significar a perda de uma produção inteira. Não basta perguntar para uma ferramenta genérica. É preciso ter o conhecimento de especialistas na base, calibrando informações, estabelecendo limites e validando aquilo que a inteligência pode recomendar”, afirma Abuchaim.

 

Educação e especialização

O exemplo do agronegócio também coloca a educação no centro da discussão sobre o futuro da inteligência artificial. Se médicos, agrônomos, engenheiros, advogados e profissionais das mais diversas áreas utilizarão cada vez mais essas tecnologias, a formação para esse novo cenário precisa começar na educação básica.

Para Abuchaim, proibir a IA nas escolas não prepara o estudante para a realidade que encontrará no mercado de trabalho. O caminho é ensinar a utilizar a ferramenta com pensamento crítico, capacidade de pesquisa e validação das informações. Na entrevista, ele destacou que professores terão papel fundamental para conduzir os alunos ao raciocínio e à profundidade, mesmo diante da facilidade de acesso à informação proporcionada pela tecnologia.

“A máquina pode processar milhares de informações, mas é o professor que ensina o aluno a compreender, questionar e validar. Da escola à universidade, precisamos formar profissionais capazes de comandar a tecnologia, e não simplesmente aceitar aquilo que ela entrega”, ressalta Alcir.

Durante a entrevista, Edir Viegas e Lúcio Ferrari também levaram ao debate questões relacionadas aos riscos, à confiabilidade das informações e à utilização da IA em diferentes atividades. Abuchaim ressaltou que quanto mais especializada for uma decisão, maior deve ser a participação de profissionais daquela área na construção e calibragem das ferramentas.

Governança e segurança

No ambiente corporativo, o desafio inclui ainda a governança e a segurança dos dados. Abuchaim alertou que informações estratégicas e sensíveis podem estar sendo inseridas em ferramentas de IA sem regras institucionais claras. Por isso, empresas precisam estabelecer infraestrutura adequada, políticas de acesso e limites para utilização da tecnologia.

“Não existe transformação responsável com IA sem três pilares: conhecimento humano para calibrar, governança para estabelecer regras e segurança para proteger dados e informações. A tecnologia pode multiplicar nossa capacidade, mas conhecimento, responsabilidade e decisão continuam sendo humanos”, conclui Alcir Abuchaim.

Assessoria de comunicação I4t – (67) 99673-6602

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